Da serraria ao Borogodó: a história da nossa carne de lata
Uma tradição mineira que nasceu da necessidade e permaneceu viva através das histórias de família.
Muito antes da eletricidade chegar às cozinhas do interior, era preciso encontrar maneiras de conservar os alimentos. Em fazendas e povoados de Minas Gerais, uma das soluções mais eficientes era cozinhar lentamente carnes e linguiças e armazená-las cobertas pela própria banha, protegidas do ar e da ação do tempo.
Assim nasceu a carne de lata. O método permitia conservar alimentos por semanas ou até meses, garantindo comida durante períodos de escassez e facilitando a vida de famílias que viviam longe dos centros urbanos. Mais do que uma técnica, tornou-se parte da identidade da cozinha mineira.
Em muitas famílias, cada receita ganhou seu próprio caminho. No caso da nossa, a inspiração vem das lembranças da Dona Cota, avó de Gustavo. Na fazenda da família, no município de Dionísio, em Minas Gerais, havia uma serraria que reunia trabalhadores, vizinhos e visitantes ao longo do dia. Como em tantas propriedades rurais mineiras, a cozinha era um dos centros da vida da fazenda.
Perto da serraria, o fogão a lenha permanecia aceso por horas. Era ali que a maçã de peito, a costelinha e as linguiças cozinhavam lentamente antes de serem conservadas na banha. Sempre havia algo pronto para alimentar quem chegasse. Não era apenas uma forma de preservar os alimentos: era um jeito de acolher, de compartilhar e de manter viva uma tradição passada de geração em geração.
O cozimento lento deixa a carne extremamente macia, enquanto a banha ajuda a preservar aromas, suculência e sabor. É uma técnica simples, mas cheia de conhecimento acumulado por gerações.
Além do sabor, a carne é uma importante fonte de proteínas, ferro, zinco e vitaminas do complexo B, nutrientes essenciais para a manutenção da massa muscular e para diversas funções do organismo.
No Borogodó, essa memória continua viva em diferentes preparos do cardápio. A Carne de Lata da Serraria, feita com maçã de peito cozida lentamente e servida com mandioca frita; a Costelinha de Lata, que acompanha o nosso Trem de Roça; e a Linguiça de Lata, servida com mandioca frita dourada. Três pratos diferentes unidos pela mesma origem: as lembranças da fazenda em Dionísio, o fogão a lenha da Dona Cota e o respeito ao tempo que a boa comida exige.
Receitas que atravessaram gerações e continuam encontrando seu lugar no dia a dia da cozinha conduzida por Aline Souza, onde tradição e afeto seguem sentando à mesa juntos.
Algumas receitas alimentam o corpo. Outras também preservam a memória de quem veio antes.
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